sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pirataria e sites de downloads provocam crise em videolocadoras



Por Roberto Cavalcanti
Quem nunca presenciou na frente de sua residência aqueles carrinhos que vendem os últimos lançamentos do cinema? O acesso aos filmes ainda a serem lançados nas telas dos cinemas são vendidos em qualquer esquina. Um bom exemplo disso é a questão de se obter DVDs piratas de filmes, os quais são comercializados com um preço muito abaixo do valor de mercado, gerando nesse comercio ilegal, a crise econômica em locadoras de filmes.
Para se ter idéia, o comerciante Marcos Antônio Magliano, proprietário da Videomaníaco, localizada próximo a Praça de Campo Grande, explica que o principal fator que reduziu o número de seus clientes foi a pirataria. “A locadora possui cerca de 3.800 pessoas cadastradas, mas devido à facilidade deste tipo de venda, que tem sua circulação livre em qualquer lugar, tivemos uma grande queda na freqüência dos mesmos. Atualmente contabilizamos apenas 150 clientes por mês. Infelizmente a pirataria complicou muito nosso comercio.” Afirma Marcos, que precisou aderir a brindes e promoções semanais para que a sua loja mantenha seus serviços com mais vantagens que a comercialização pirata.
Em mais duas videolocadoras localizadas no bairro, a situação é semelhante. Para Reinaldo de Queiroz, proprietário da WW Filmes, que atua no mercado há quatro anos e meio, o número de clientes foi reduzido em 50%. “Mesmo oferecendo vantagens promocionais como a redução do valor, aumento do prazo de devolução e uma boa disponibilidade de lançamentos, obtiveram uma queda muito grande não só no número de clientes, como a freqüência deles no estabelecimento,” explica Reinaldo.
No caso de Flávio Henrique, que está no mercado há 7 anos com uma locadora exclusiva para o público masculino, a Enter Sexy, seu comércio despencou para 30% no número de clientes. Segundo ele, o estabelecimento que atende ao público adulto possui em sua maioria, freqüentadores com idades entre 25 e 30 anos. Tentando servir produtos diferentes dos que são disponibilizados pelo comércio pirata, Flávio busca para sua locadora, filmes diversificados dos que são oferecidos nas ruas. “O negócio ta ruim em todo o comércio por conta da pirataria, não é só em minha locadora”, finaliza.
Com as diversas quedas ocasionadas pela facilidade de se obter um mesmo produto por preço bem inferior aos originais e, até mesmo, por hoje possuirmos programas via internet que nos permitem baixar qualquer filme, o futuro das videolocadoras corre o sério risco de serem extintas, impossibilitando com isso, que inúmeras pessoas possuam o direito de crescer no empreendedorismo através desta fonte de renda, que já foi considerada há alguns anos, um dos mais promissores mercados agregados a mídia cinematográfica.
De acordo com o economista e administrador Rafael Vasconcelos, a pirataria representa mais que um fruto gerado pelo capitalismo. “Não podemos pensar que a reprodução ilegal de uma obra vendida em diversas cópias seja apenas o ganha-pão dos ambulantes. Com a compra de um produto pirata, estamos investindo também no crime organizado, que através desse comércio, desencadeia para os fabricantes desses produtos a ajuda na venda de drogas e armas de fogo, contribuindo assim para a fácil circulação das mesmas.” Esclarece Rafael, que também afirmou acreditar no fim das videolocadoras em apenas 10 anos à frente, caso a população não se tenha consciência do mal que pode causar ao consumir esses produtos de livre circulação.
Atualmente, a indústria tecnológica e cultural vem pesquisando formas que possam combater a pirataria. Uma das novidades desenvolvidas foi o disco Blu-ray, que através de um formato e tamanho semelhantes ao DVD, consegue armazenar com melhor qualidade e densidade vídeos em alta definição.
O Blu-Ray possibilitará, caso futuramente seja adotado como o sucessor do DVD, menos riscos de passar a ser copiado, tanto pelo seu alto custo, como por dificultar que a indústria pirata o reproduza devido a tecnologia existente em sua mídia. Esse novo sistema possibilitará um grande avanço no mercado industrial, como também uma segurança maior para o futuro das videolocadoras ainda existentes.

Um comentário:

Anônimo disse...

A geração de hoje já nasceu sem lojas de CDs é com Internet com banda larga de 10Mbits ou mais provavelmente nem sabe o que e um vídeo locadora. No Torrent e possível baixar um filme completo com mais de 3.5 GB em 5 minutos.
Desculpe mais e o fim das videolocadoras assim como aconteceu com as lojas de CDs. Os donos demoraram a esboçar uma reação E não acompanharão a mudança do mercado. provavelmente hoje em dia não tem mais como reverter esta situação.