domingo, 21 de dezembro de 2008

Fala Povo: Sua opinião levada a sério

Por Adriana Dutra

Mais uma vez, a população do bairro coloca sua opinião à mostra. Quando o assunto é violência às pessoas sempre têm uma idéia formada. É corrente ouvir sobre o assunto em qualquer lugar, mas em Campo Grande esse risco já faz parte do cotidiano dos moradores. Ao longo deste ano, foram registrados vários casos na região, como a morte do advogado José Leite de Almeida e também o assassinato da vice-diretora da Escola Técnica Agamenon Magalhães (ETEPAM) Norma Maria de Brito Cavalcanti. A falta de segurança segundo os entrevistados, torna o local “famoso” pela violência urbana, causando nos moradores um sentimento de medo ao saírem de suas residências para realizar qualquer atividade de trabalho ou lazer. E por isso a nossa equipe foi às ruas perguntar aos moradores: “você acha Campo Grande um bairro perigoso”?


NÃO “CONSIDERO REGULAR, COMPARADO COM OUTROS BAIRROS. SABEMOS QUE EM QUALQUER LUGAR EXISTE VIOLÊNCIA.”.
JOSAN MARINHO, 47 ANOS - OPERADOR DE MICROFILMAGEM


NÃO. “EM DEZESSEIS ANOS QUE MORO AQUI, SÓ FUI ASSALTADA UMA VEZ. O QUE É IMPORTANTE PARA O BAIRRO É UMA RESSOCIALIZAÇÃO PARA OS JOVENS DAS COMUNIDADES VIZINHAS. ELES CRIAM UMA REALIDADE QUE NÃO É NOSSA. ELES OPERAM NO BAIRRO ATERRORIZANDO OS MORADORES.”
MIKAELLA BUARQUE, 20 ANOS – UNIVERSITÁRIA



SIM. “NOS ÚLTIMOS MESES, OS ASSALTOS TÊM SIDO FREQUENTES AQUI DEVIDO À FALTA DE UMA SEGURANÇA REFORÇADA NO BAIRRO.”
NARA DIAS, 51 ANOS - DONA DE CASA


SIM.“EXISTE ALTO ÍNDICE DE CRIMINALIDADE AQUI, TORNANDO ASSIM O BAIRRO ALVO FÁCIL PARA A VIOLÊNCIA.”
ANDRÉ SANTOS, 35 ANOS-UNIVERSITÁRIO


NÃO. “A VIOLÊNCIA QUE VEMOS AQUI NÃO É DO BAIRRO. AS PESSOAS COLOCAM CAMPO GRANDE COMO O BAIRRO QUE SOFREU A VIOLÊNCIA OU O ASSALTO NA MÍDIA IMPRESSA SEM CONSULTAR SE ESTE ESPAÇO FAZ PARTE DE CAMPO GRANDE OU DE ALGUM OUTRO BAIRRO VIZINHO.”
ANTÔNIO SANTANA, 44 ANOS – ZELADOR

SIM. “PORQUE QUANDO DÁ 22:00HS, NÃO SE VÊ NENHUMA FAMÍLIA NAS RUAS DO BAIRRO; ELAS FICAM COMPLETAMENTE ESQUISITAS. HÁ SEGURANÇA ESCASSA À NOITE, E DURANTE O DIA, POUCO POLICIAMENTO.”
WILLIAM CALDAS, 56 ANOS- LANTERNEIRO

“Sim. Seria uma situação estranha, considerar Campo Grande um bairro não violento, pois o combate à violência é um trabalho constante da Polícia Militar contra a criminalidade do bairro.”

Capitão Lúcio Flávio do Núcleo de Segurança do Hipódromo- 1º COM/13ºBPM. Atendem 11 bairros incluindo Campo Grande

Telento do Bairro

A Receita Mágica
A história de um bolo que faz parte de uma família do bairro

Por Adriana Dutra

O nosso jornal vem destacar o exemplo de perseverança de Maria do Carmo dos Santos, proprietária da Casa de Recepções La Femme que existe há onze anos no bairro. De origem simples, dona Maria veio morar em Campo Grande já quando estava casada com o senhor Severino Gonçalo dos Santos (conhecido como seu Bio) que na época havia comprado uma casa na Rua Gonçalves Dias nº 138.
Com uma família grande, a mulher e quatro filhos, Severino era comerciante e o único que mantinha financeiramente toda família. A situação com o passar dos anos estava piorando, e o comerciante atravessava uma crise financeira. Foi então, que sua esposa percebeu que era chegada a hora de ajudar seu parceiro no trabalho.
Carminha - como gosta de ser chamada – começou a bordar, e a vender para os seus próprios vizinhos, que logo compravam. Percebendo que seu trabalho dava retorno, começou a vender roupas masculinas e femininas, produtos de beleza, jóias e sapatos.
Seu espírito de vendedora começava a se desenvolver. Mas, com o passar do tempo, viu que o mercado de vendas já estava saturado, decidiu então diferenciar. “Estava cansada de vender de porta em porta; queria algo que não deixasse de vender, mas que parasse de vender fiado.” Justifica Maria do Carmo.
Ela começou uma nova atividade em sua própria residência com a produção de cestas de café da manhã. Carminha percebeu que era a única no bairro a trabalhar com esse produto e depois da morte do seu marido, ela sustentou e educou os seus quatro filhos com o próprio trabalho.
Com a criatividade e versatilidade de dona Carminha, ela decidiu inovar. Fez um bolo fino e levou para um escritório de trabalho da sua amiga. Começava assim, a história de sucesso do bolo de dona Carminha. “Eu pedi para a Beth provar do bolo e a reação dela foi impressionante, pedindo para eu realizar todos os preparativos do seu casamento”, Lembra Carminha, com carinho.
Segundo Carminha, após o interesse da amiga em pedir para que fizesse sua festa de casamento, tudo foi preparado de acordo com as necessidades de Beth, mas por ser iniciante no assunto de buffet, não tinha materiais suficientes para fazer a festa de Beth.
A cerimônia aconteceu na Igreja da Jaqueira, e Maria do Carmo foi surpreendida pelos convidados da amiga, pela aprovação da decoração e dos quitutes da festa, inclusive o chefe da amiga que parabenizou o serviço e solicitou que ela fizesse os 15 anos da filha dele.
Foi depois dessa festa que Carminha decidiu se especializar em doces e salgados e começou a fazer o Buffet Itinerante onde se paga toda a locação do evento para ser levado em qualquer lugar que desejar.
Com o aumento dos convites ao longo do tempo, suas filhas Marilene e Mariluce abriram mão dos empregos de gerentes de vendas para ajudar a mãe no buffet. Com o crescimento empresarial, ela decidiu alugar a casa do lado da sua e aos poucos esse espaço foi ganhando aos poucos características de uma casa de recepções.
Segundo Andréa Paula que realizou o seu casamento na casa de festas, em julho de 2004, declara que o carinho, a responsabilidade e a delicadeza de serem feitas as comidas, fazem do estabelecimento um local agradável de estar, gerando a famosa propaganda “boca-a-boca”.
A casa de recepções foi inaugurada em 15 de fevereiro de 1997. Além de seus serviços, o bairro também tem uma outra casa de festas conhecida como Recepções Ramagem, com pouco tempo no bairro. Mas, o La Femme de acordo com a proprietária nasceu em Campo Grande e faz parte da história do bairro.
São onze anos de conquista. Mas, ao todo são quarenta anos de história e luta de dona Maria do Carmo. Hoje, dona Carminha aos 80 anos, continua na administração, porém, não mostra mais o dom de fazer a “receita mágica”, deixando os serviços para suas filhas, que desempenham cargos de importância na empresa.
A inspiração do nome da casa de festas surgiu de sua filha Mariluce, que fazia Francês e sugeriu o nome LA FEMME, que significa A MULHER.
Cerca de 600 festas são feitas por ano no local, em sua maioria, casamentos. “Vendemos sonhos... um casamento planejado há muito tempo não é para ser realizado de qualquer jeito. É feito orquestra, tudo tem de estar em perfeita harmonia”, afirma Marilene Muniz gerente da casa de festas.
Espaço amplo, boate climatizada, iluminação para todos os gostos, uma infra-estrutura que atende a qualquer tipo de festa.
Hoje o Buffet La Femme emprega pessoas do bairro para capacitação e alguns profissionais qualificados pelo SENAC, que variam a cada evento. “Nosso trabalho é em equipe, mostrando o melhor e realizando os sonhos das pessoas”, completa Carminha. Segundo ela, o retorno é imediato. A cada festa realizada, o cliente já demonstra sua satisfação através de elogios e sorrisos.
Para dona Carminha, a recompensa da vida está no esforço do seu trabalho e na sua perseverança e que fez de um pedaço de bolo a história de sua vida e é destaque dos comerciantes em Campo Grande atraindo pessoas para o local em cada festa e comemoração.
“Tudo o que é feito com dedicação, carinho, amor e honestidade na graça de Deus, nada; nem mesmo o tempo, conseguirá destruir”, finaliza Marilene Muniz.


SERVIÇO:
Recepções La Femme - Rua Gonçalves Dias, 128, Campo Grande.
http://www.recepcoeslafemme.com.br/




sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Hoje: A "Gafieira "de Pernambuco

Por Adriana Dutra

Quem nunca ouviu? “Eu sou aquele amante à moda antiga, do tipo que ainda manda flores...”. Para os jovens, estas palavras não passam de versos, da famosa música do “rei” Roberto Carlos, sucesso da época da “jovem guarda”, quando as meninas usavam seus vestidos rodados de bolinhas, anáguas com babados, rapazes com jaquetas em cima de lambretas, cabelos com a famosa brilhantina e o chanel.
O tempo não apagou lembranças de quem viveu este período de sua vida. E ainda hoje o Clube das Pás é o local que atrai essas pessoas que buscam sentir-se bem ao dançar pelo salão do clube.
Quem vai as “Pás”, sente-se renovado, em ouvir grupos e orquestras da sua juventude cantando sucessos que rondam nossas mentes até hoje.
As Pás, segundo freqüentadores é o melhor ambiente familiar e seguro para dançar. Uma tradição de quem freqüenta é ter amizade e cordialidade presenciada nos eventos.
Frevo, salsa, bolero, valsa, brega dentre outros rítmos, são apreciados pelas pessoas que freqüentam. Estas deixam ser levadas pelo bailado da melodia tornando-se verdadeiros bailarinos da “boa idade”.
Cantores Como Adilson Ramos, The Feveres, Reginaldo Rossi, Beto Barbosa, entre outros já passaram pelo pequeno palco das Pás. Casamentos, desavenças e ciúmes também contribuíram para o sucesso do clube que soma ao todo 120 anos de história.
Com a sua terceira reforma resultado do prêmio “o Fuçador” promovido pela Prefeitura do Recife no ano passado, o ambiente terá uma estrutura de primeira linha, e o espaço que cabe cerca de 1.500 pessoas, passará por mudanças sem mudar o prédio como antigamente.
Com uma diretoria forte composta por 40 membros, o Clube Carnavalesco sobrevive através de seus sócios que contribuem assiduamente com mensalidades em 10% do salário. Em troca, é permitido o direito da entrada gratuita a todos os shows e também ao espaço próprio de lazer com piscina e campo, existente em Pau Amarelo. “Era uma maravilha, em Pau Amarelo; realizamos pique-niques, casamento, e tínhamos o concurso garota da 3ª idade que desfilava na beira da piscina.” Completa Sra. Lourdes Santana com 84 anos. Trabalhou mais de vinte anos no clube.
A casa é referência de Campo Grande e transforma essa parte do bairro em um ponto turístico da cidade. “Qualquer pessoa que não sabe onde fica Campo Grande falou das “Pás” o bairro é lembrado”. Declara senhora Maricélia Santos de 60 anos, que todas as segundas–feiras faz questão de ir para o clube. Nas segundas-feiras acontece o chamado “dia da terceira idade”, que começa às 16:00h e atrai cerca de duzentos casais.
Não é só quem mora em Campo Grande que conhece as “Pás”. Além de bandas e cantores famosos, já passaram pelo salão: Marco Maciel, Joaquim Francisco, Jarbas Vasconcelos, João da Costa, João Paulo e dentre outros. Eles sabem da importância de viver feliz desse público acima da terceira idade.
“Ô ô ô saudade. Saudade tão grande. Saudade que eu sinto do Clube das Pás, do Vassouras, passistas traçando tesouras, nas ruas repletas de lá...” Esse é um trecho da música de Antônio Maria, o Frevo nº 1 do Recife e autor também do frevo nº 2. Nascido em Recife, logo depois se mudou ainda jovem para o Rio de Janeiro. O compositor amava a vida noturna, e em 1951 compôs este frevo, que expressa o sentimento de saudade pelo Recife revivendo os blocos da época inclusive, o das “Pás”.
No local funciona às segundas-feiras: o dia da terceira idade começando às 16:00hs; quartas-feiras: dia da Seresta às 20:00hs; sextas-feiras: Pás na sexta 22:00hs; sábado: sábado nas Pás 22:00hs e domingo: domingo das atrações às 16:00h. Preço: Entre R$5,00 a R$10,00. Pode ser mudado de acordo com o evento.



Serviços:
Clube das Pás, Rua Odorico Mendes, 263 Campo Grande
Fone: 3241-0751
Site: http://www.clubedaspas.com.br/



FONTES CONSULTADAS:

Rabello, Evandro. Clube das Pás: 95 anos de Carnaval. 156 folclores, março, 1985 Fundação Joaquim Nabuco.

Cavalcanti, Carlos Bezerra. Recife e seus Bairros. 3ª edição, CEPE. Pág. 222.

Dantas, Leonardo. Carnaval do Recife. Amorim Primo. Fundação Joaquim Nabuco

Biblioteca EMPETUR


As Pás de Campo Grande


Clube carnavalesco é o mais antigo do Estado.

Por Adriana Dutra


Quem diria que um grupo de carvoeiros carregados com uma pá nas mãos pudesse repercutir tanto no Recife desde 1888. Sendo criado um dos clubes mais expressivos da cidade, “O Clube das Pás”? Em 1887 um navio inglês estava ancorado no Recife, para ser abastecido de carvão.
Como era época de carnaval e estava próximo da libertação dos escravos, os donos do navio tinham dificuldades de conseguir trabalhadores. Do outro lado acontecia uma greve no porto da cidade do Recife, onde todos que trabalhavam, aderiram à paralisação de suas atividades.
O navio inglês, não poderia passar 12 horas sem abastecimento para voltar à cidade de origem. Em meio à luta, os proprietários do barco conseguiram um grupo de carvoeiros, e estes abasteceram o navio que logo depois zarpou.
Após o serviço, receberam uma quantia “gorda” pelo trabalho, e sem perder a alegria da festa, seguiram eufóricos para a rua onde era a sede do Clube Caiadores, para brincar o carnaval.
Com os bolsos cheios de dinheiro os carnavalescos autênticos, resolveram criar com o apoio dos sócios dos caiadores, um bloco.
Em homenagem à profissão, em 19 de março de 1888, nasce o Clube das Pás de Carvão. Movidos pela alegria da festa, eles não sabiam que o bloco começava a criar espaço e ser mais um a sair nas ruas do Recife.
Depois de dois anos, o Clube das Pás de Carvão ganhou novos adeptos, saindo então pela primeira vez como bloco em 1890 e a cada ano ganhava novos sócios que se alegravam pelo desfile.
Em assembléia realizada no clube, no mesmo dia da sua primeira saída pela cidade do Recife, os componentes que o fundaram o Bloco ainda carvoeiros: Manoel Ricardo Borges, Francisco Ricardo Borges, João da Cruz Ferreira e João dos Santos resolveram mudar a nomenclatura do bloco passando assim para Clube Carnavalesco Misto das Pás Douradas, que é conhecido até hoje em todo o Estado.
A conquista em se tornar o mais antigo, deve-se aos trabalhadores e pessoas humildes que vendiam suas forças para sobreviver e que freqüentavam o clube na época em que não desistiram.
Em uma sessão solene em 19 de março de 1916 foi proclamado o dia de São José, o santo que ainda hoje é o padroeiro do clube.
O fato histórico e que não pode ser esquecido é que o bloco passou do porto do Recife para um local alugado no bairro da Boa Vista. Os seus presidentes começaram a perceber que o bloco crescia a cada carnaval e que era necessário ter seu espaço próprio.
Foi quando a senhora Maria do Carmo Gadelha Ferraz, comprou um terreno em 1938 no bairro de Campo Grande, numa escritura feita em 30 de agosto de 1949 por seis mil cruzeiros. O terreno com 22,50m de largura por 52 metros de comprimento e em formato de palhoça, elevou ao topo das agremiações do Recife o Clube Carnavalesco.
Quem hoje visita o clube observa uma grande galeria de quadros com as fotos dos seus fundadores inclusive senhora Maria do Carmo, percebendo que a luta deles por tudo não foi em vão.
Na década de 60 a direção do clube passa para o Sr. Josabat Emiliano da Silva que administrou o local por 44 anos. “Isto é um exemplo de amor pelo clube”. Afirma Marly Ribeiro que também trabalha no clube há 30 anos na área social e que tem uma admiração quando o assunto é falar da história do clube. Com as idas e vindas dos presidentes das “Pás”, o local como qualquer estabelecimento público tem suas mudanças. O clube hoje passa a ser conhecido pelas músicas boêmias, resgatando várias décadas.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

CHIÉ UMA HISTÓRIA DE LUTA

Descubra um pouco mais sobre a comunidade bem estruturada do bairro




Por Adriana Dutra


Dentro do bairro de Campo Grande encontramos uma localidade chamada Chié. O nome deve-se ao fato da região ter mangues e com muitos peixes e crustáceos; e o chié é uma espécie de “caranguejo” pequeno, como uma “maria farinha”, e que era muito encontrada na região.
A comunidade do chié era uma ilha entre a fábrica Tacaruna e o prédio da antiga COHAB. Na década de 30, o mangue prevalecia em todo o espaço da comunidade (além do canal natural) que atravessava o bairro. As pessoas passaram a ocupar o local para morar devido as fábricas, como: Tacaruna, Usina Beltrão, o Matadouro de Peixinhos; pois Campo Grande começou ser habitado por famílias de origem simples, que não tinham condições de construir casas de tijolos.
Na esperança de trabalhar nas fábricas próximas da área, eles faziam seus barracos. O aterro era feito com o próprio lixo formando pequenas ilhas e o veículo usado por eles era o bote ou a barcaça, transportando às famílias de uma ilha à outra.
Com a construção da Escola de Aprendizes Marinheiros, na década de 40, mais famílias chegavam para morar na área ribeirinha do mangue. “No início o aterro nesta área do mangue era feito com pó de serra.” Lembra Dona Irene Santos, que também participou durante a sua juventude na luta.
Em 1950, surgiu na comunidade, a primeira grande mobilização da “Liga Social contra o Mocambo”, no governo de Agamenon Magalhães com a parceria da Prefeitura, na tentativa de expulsar, todos da área. Porém, a população resistiu. Criaram em 1963 a primeira Associação dos Moradores, com seus "revolucionários": Sebastião Ribeiro, Tasso Bezerra, Cecília Rodrigues, Anita Alves, Marina Amorim, dentre outros. Destes, apenas o senhor Tasso não está mais vivo. Sebastião Ribeiro foi o primeiro vice-presidente da Associação dos Moradores, na presidência oficial de Raimundo Barbosa. Sra. Anita Alves e Marina Amorim, foram fundadoras da Escola Comunitária. Mais tarde, juntos iniciaram o MCP (movimento de cultura popular) trazendo para a comunidade a Escola Comunitária Mundo Infantil do Chié e o Posto de Saúde que ainda hoje existe (com o nome do senhor Tasso Bezerra).
No ano seguinte a Escola e a Associação dos Moradores foram fechadas pelo governo. Procurando também os líderes do movimento.
Com a primeira grande cheia de 1966, parte da comunidade perdeu tudo o que tinha, a causa do lixo aterrado nas áreas de mangues foi o principal vilão da invasão da maré, e toda a parte construída do Shopping Tacaruna e Escola de Aprendizes foi considerado o impacto ao meio ambiente.
Ainda o governo de Agamenon Magalhães, construiu uma avenida principal com seu nome (Avenida Agamenon Magalhães), e os moradores foram obrigados a recuar o local, deixando a favela com pouco espaço e muitos moradores. Todos receberam uma pequena quantia de indenização, porém a resistência era maior.
A luta só estava prestes a terminar no governo de Miguel Arraes, com o tema em sua cartilha de projetos “Arraes faz, ninguém apaga”. Todas as famílias do “velho chié” receberam material de construção para montar o seu teto. As outras comunidades de Campo Grande como Ilha de Joaneiro, também foi beneficiada e até hoje todos mencionados nesta matéria que fizeram parte da luta lembram de Arraes como “salvador do Chié”.
A ilha Chié começou a ganhar forças e consegue os primeiros resultados da organização do povo em 1990, quando em todo o lugar que era mangue os moradores construíram casas de alvenaria, ganharam ruas asfaltadas e iluminação. Ainda na década de 90 foi produzido um livro “CONHECER MELHOR PARA SABER COMO MUDAR: CHIÉ UMA HISTÓRIA DE LUTA” pela ONG Etapas (Equipe Técnica de Assessoria e Ação Social) que trabalha com projetos de apoio, surgimento de grupos comunitários e associações de moradores. Incentivando a mobilização e o fortalecimento das entidades gerais de movimento, como Federações de Bairro.
A resistência desse povo pela posse de terra, trouxe um ar diferente para seus filhos e netos que desde então aprenderam com seus pais a defenderem seu espaço. “Só saiu daqui do chié quando morrer”, afirma Sebastião, pois seu esforço serviu por cada casa erguida e cada lar conquistado.
A comunidade em seu início possuía cerca de 500 a 600 famílias, atualmente de acordo com Sra. Anita Alves já ultrapassa 3.000 pessoas. “Formamos um “bairro” dentro do nosso próprio bairro.” Finaliza. O Chié para eles é a “favela” mais organizada e urbanizada do Recife.


UMA VISÃO DIFERENTE
Debates e capacitações são realizados para os jovens do Chié

Por Adriana Dutra

No Chié, há um trabalho de inclusão social e direitos humanos. Esse movimento tem o nome de GAV (Grupo Acreditando e Vivenciando), que oferece para as crianças da comunidade e do bairro o direito de torná-las futuras cidadãs.
Com 3 anos de fundação, na liderança voluntária de Virlane Silva, que encontrou nessas meninas, amor e carinho e a vontade de serem futuras jovens de valor, e a preocupação em passar tudo o que aprendeu na sua infância e adolescência na Casa de Passagem.
Com uma média de 10 a 15 entre meninas e meninos, com idades de 7 a 18 anos, o projeto tem como objetivo principal, trazer para elas a nossa cultura e fortalecer socialmente cada menina que participa.
O Grupo oferece palestras para crianças voltadas para dinâmicas e para as mais jovens são realizados debates, com temas: Gravidez na adolescência, sexo, direitos humanos, acordo e convivências, mostrando para elas de perto sobre a realidade desconhecida no dia-a-dia e incentivando-as para uma reflexão.
“As atividades do grupo acontecem nas terças-feiras e sábados a partir das 9:00 até as 11:00 da manhã”. Afirma Virlane e completa que “os lanches são doações que recebem dos próprios moradores”.
O GAV conta também com o apoio de vídeos e materiais para capacitação de AMIS (Adolescentes Multiplicadores de Informações) fornecidos pelo Posto de Saúde da unidade do Chié II, Associação dos moradores e Casa de Passagem.
Para Virlane, existe uma certeza de melhoria para crianças e adolescentes da vizinhança e oportunidades de um trabalho socio-cultural e voluntário que busque o interesse pelas crianças da comunidade do Chié.

CAMPO GRANDE É LOGO ALI

Conheça os caminhos que levam você ao bairro e as características dessa região

Por Adriana Dutra

Você conhece campo grande? Pois, se não conhece, saiba que é um bairro perto de tudo e fácil de se chegar. Dependendo do ponto em que se esteja em Olinda ou no Recife, em dez minutos você chega nele.
São 14 linhas de ônibus que atendem ao bairro e circulam por diferentes áreas da região metropolitana, entre elas: Jardim Brasil/Joana Bezerra e Santa Casa/Joana Bezerra, que trabalham com sistema integrado, disponibilizando ao morador o acesso ao metrô e ao ônibus; pagando apenas uma passagem.
Vamos viajar pelas linhas que cortam o bairro. O nosso ponto central é Campo Grande. Se você pretende ir a Afogados, pegue o micro ônibus “Campo Grande/Afogados”, se o destino for a Cidade Universitária, procure Rio Doce/CDU; mas chegue cedo, pois a partir das 6h da manhã é lotado de universitários.
Voltando nesse mesmo ônibus pode passar direto e ir para o bairro de Rio Doce (Olinda), e na integração deste bairro pegue Rio Doce/Dois Irmãos, e volte para o nosso ponto inicial, sem pagar nada. Em Campo Grande, pode-se pegar qualquer coletivo da empresa Caxangá, que levará você ao o centro do Recife, especificamente até à Avenida Dantas Barreto ou Guararapes.
Ao longo da história do bairro várias vias públicas de acesso foram ganhando importância; como a Estrada de Belém, considerada o caminho mais antigo de ferro que ligava Salgadinho até o bairro da Soledade e também à Avenida Agamenon Magalhães, principal via que liga também Olinda e Recife.
Segundo dados da prefeitura do Recife, Campo Grande possui uma área de aproximadamente 2,3 km², com densidade demográfica de pouco mais de 13 hab/km², ou seja, é um bairro populoso que gera enorme circulação pelas ruas do lugar. “O nosso bairro é bem próximo ao centro da cidade” afirma Sr. Luiz Paulo morador do bairro há 28 anos, que cita a distância do bairro até o marco zero do Recife, cerca de 3 km, um dos mais próximos realmente.
Campo grande faz parte da RPA 2-Norte, nomenclatura da prefeitura para organização dos bairros, que subdivide as regiões da cidade. Com essa estrutura fazem parte também os bairros: Arruda, Campina do Barreto, Encruzilhada, Hipódromo, Peixinhos (uma parte), Ponto de Parada, Rosarinho e Torreão.
Só em Campo Grande encontramos um total de seis comunidades: chié, capilé, saramandaia, vila da prata, ilha de joaneiro, padre vilesman que apresentam os problemas de quem mora no local, tanto que as prioridades eleitas na última plenária do orçamento participativo 2001/2007, trataram da pavimentação e drenagem de algumas ruas, construção de postos de saúde, área de lazer e saneamento básico.
Assim como qualquer bairro de uma grande cidade, Campo Grande também precisa de cuidados, seus moradores apontam algumas prioridades como: educação, serviços de água encanada e coleta seletiva de lixo. Mas, uma coisa que não se pode reclamar, Campo Grande é um bairro muito bem assistido pelo transporte público e os caminhos próximos ao Shopping ou a Fábrica Tacaruna acabam levando a essa importante parte da cidade do Recife.

Ônibus que trafegam na Estrada de Belém:

Empresa Caxangá



Campo Grande/ Term. Em Sítio Novo;
Jardim Brasil II Est. De Belém;
Jardim Brasil / Joana Bezerra;
Santa Casa;

Sítio Novo/ Avenida Norte
Aguazinha;
Santa Casa / Joana Bezerra;
Jardim Brasil I Est. De Belém
Caixa D`água;
Águas Compridas;
Rio Doce CDU;
Sítio Novo/ Avenida Norte

Empresa Recife Complementar



Afogados/ Campo Grande;

Empresas Cidade Alta



Rio Doce Dois Irmãos;

sábado, 22 de novembro de 2008

Peça ao ar Livre...


XI Festival Recife do Teatro Nacional


Com apresentação gratuita vindo de Goiás....

A comédia popular: O CABRA QUE MATOU A CABRA



Onde? Na praça Eudoro Correia (do antigo Terminal de Campo Grande)

Quando? 24/11/2008

Horário? 16:00 h

Não percam!!!

Foto: Divulgação Google

domingo, 16 de novembro de 2008


Gente o que isso!!

Passando pela frente da Igreja Nossa Senhora do Bom Parto, fiquei supresa...

O pessoal não perdoa, a Pichação correu solta lá também. Nem um local cristão, em que devemos dar o respeito por ser um ambiente de celebração a Deus.

Deixo para os blogueiros essa imagem absurda.

sábado, 8 de novembro de 2008

Praça de Campo Grande







ANTES

Praça "Acabada"














DEPOIS




É lamentável acontecer isso. Após 11 anos de espera por uma reforma de qualidade na praça Eudoro Correia, e olha o que vemos? Um praça com pichações.
Pichação é divergente de Grafitagem. Ela é considerada "Ato de desenhar, rabiscar ou apenas sujar um patrimônio público ou privado com rabiscos sem sentidos, feitos com tinta em spray."Além de deixar uma poluição visual e "suja" do bairro.
Isso não é arte, arte é Grafitagem!
Todo o dinheiro investido nela saiu dos moradores do bairro que contribuem assiduamente com seus impostos, e em troca receberam um simples risco de pessoas que aterrorizam o bairro.
Mas, fazer o quê? Isso é a nossa realidade.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A pratica da FÉ SEM BARREIRAS

Mais de vinte e cinco manifestações religiosas marcam presença no bairro de Campo Grande.


Por Adriana Dutra

Batuques, mesa branca, terços e orações são práticas religiosas encontradas em qualquer cidade ou país, e no bairro de Campo Grande não é diferente.
Num simples passeio pelo bairro e adjacências, podemos observar a diversidade das manifestações religiosas, descobrimos que existem aproximadamente 32 locais onde as pessoas exercitam a sua fé: 13 igrejas evangélicas; 4 igrejas católicas (incluindo capelas); 7 centros espíritas, e 8 centros de umbanda.
Além dessas citadas, existem também no bairro de Torreão a Igreja dos Mórmons e uma Loja Maçom em Campo Grande. Mas um fato é curioso; boa parte das pessoas que freqüentam as duas últimas “igrejas” não moram na comunidade.
Não se sabe ao certo o que leva essas pessoas a procurarem instituições religiosas, a fim de encontrarem respostas para suas aflições. A fé religiosa, é bastante presente também entre os moradores, embora existam várias doutrinas diferentes respeito entre eles é notável, pois convivem harmoniosamente no mesmo bairro. Não basta ser apenas um praticante de cada uma dessas religiões; segundo alguns dos entrevistados, a religiosidade vai muito além do que se pode explicar e exige respeito da sociedade como um todo, visto que todos têm liberdade para praticar a religião que melhor lhe convém.
A dedicação pela religião em alguns casos, vem de berço; a exemplo da Rosalina Rodrigues filha da mãe de santo Lindalva Rodrigues, mais conhecida como dona Linda. Fundadora de um dos mais antigos terreiros do bairro; a sua história dentro da religião soma mais de cinqüenta anos. Rosalina diz que quando a sua mãe chegou em Campo Grande e fundou o centro, as ruas ainda não eram asfaltadas e a casa ainda era de tábua.
Com o passar dos anos o bairro foi crescendo, ganhando novos moradores, aumentando assim o número de freqüentadores do centro de dona Lindalva; hoje conhecido como Centro Espírita Santa Bárbara.
Para Dona Lucy Pessoa, 70 anos, e católica fervorosa essa mistura de cultos não é interessante. “Apenas queria que todos seguissem uma religião cristã, sendo do catolicismo ou não. As pessoas se colocam confiantes em serem católicas só quando são questionados, mas na prática é diferente.” Afirma a aposentada.
De pensamento igual ao de Lucy, e de religião diferente está Elsony Moraes, 42 anos, que mora no bairro há 22 anos. Criada no evangelho, informa que as pessoas buscam as religiões por moda e no dia-a-dia são descrentes do que vivem. “Às vezes as pessoas batem a mão no peito ou defendem a bandeira da sua denominação como a única no mundo; sem cumprir ou viver o que se diz.Tenho vizinhos que não possuem nenhuma religião, mas convivo com todos eles para ser mantido o respeito.” Declara Elsony Moraes.
Para o Pastor da Igreja batista de Campo Grande Francisco Dias, é que a diversidade de religião é importante existir e afirma: “Deus deu ao homem o livre arbítrio e o direito de escolher”. Quanto à convivência entre pessoas de religiões diferentes o Pastor afirma: “respeitar é o fator primordial para o ser humano. Eu creio que a verdade é Cristo e só Ele salva", conclui o mesmo.




Religião e Ações Socias andam juntos
Fiéis fazem sua contribuição em projetos sociais para comunidade de Campo Grande


Por Adriana Dutra

Como foi visto na matéria anterior, o bairro além de revelar uma diversidade de manifestações religiosas, estas também trazem um papel significativo em projetos sociais na comunidade.
A Igreja Batista em Campo Grande, conhecida pela sigla IBCG, foi organizada em 25 de novembro de 1930. O seu tempo contribui na história do bairro e suas primeiras reuniões foram realizadas em uma casa pequena de nº27 na rua São Caetano, mudando em 1965 para a Estrada de Belém (local atual).
O primeiro líder foi Pr. Francisco Gregório, depois teve mais seis pastores e atualmente o sétimo que já está há quase dezessete anos é o Pr. Francisco Dias que além de ser Pastor é Psicólogo Clínico, Assessor Familiar e Mestrando em Psicologia.
Segundo Francisco, ser pastor de uma igreja de bairro não é fácil, “só passaram por aqui um total de sete pastores, com isso chamamos atenção para o diferencial não da igreja, mas do bairro”, declara Dias.
A IBCG como é conhecida pelos fiéis e moradores do bairro, em toda a sua história é considerada a única igreja evangélica do bairro que tem a permanência de seus líderes espirituais por um muito longo.
Assumindo o seu papel em trabalhar pelas famílias do bairro. Francisco afirma: “Os jovens da comunidade hoje são o efeito e não a causa. Temos que atingir a causa, que são seus pais e o seu lar.”.
Assim como outras religiões, que oferecem sopões, arrecadações de alimentos, campanha do quilo ou bingos beneficentes, a Igreja de Campo Grande também trabalha na questão social da comunidade. Vários projetos foram realizados pela igreja. Dentre eles: Um consultório odontológico em parceria com uma igreja dos Estados Unidos que funcionou por 3 anos, e atendia cerca de 800 pessoas.
O projeto “Justiça nas Ruas” tirando documentos para comunidade, em um total de 1.600 pessoas que foram atendidas; distribuição de presentes para as crianças carentes em datas comemorativas; cursos profissionalizantes, para jovens e adultos; e o mais recente que está em fase de conclusão é o bolsa leite e alimento.
Francisco Dias reconhece que as igrejas devem fazer um papel não apenas de evangelizar ou buscar fiéis para sua doutrina, mas de servir a comunidade, pois é um trabalho bem mais árduo quando se fala em ajudar o outro.
E declara: “O meu sonho para o bairro de Campo Grande é o de uma comunidade que motivada pelo amor, a comunhão e os princípios cristãos, empreenda esforços todos os dias para debelar o mal e a violência que nos assola tornando-nos conhecidos não pelo bairro da violência e dos assaltos, mas sim por um bairro onde Cristo Jesus habita e que por isso é um lugar onde podemos ainda criar nossos filhos", finaliza.





Fala povo: sua opinião levada a sério


Por Adriana Dutra

A mobilização coletiva é essencial para o desenvolvimento cívico e social. Para que as pessoas tenham essa consciência, é necessário que conheçam os seus direitos e utilizem espaços, como o do Jornal Campo Grande em Foco, que apresenta a cada edição, um espaço aberto à opinião do leitor.
Neste primeiro jornal perguntamos a alguns moradores a respeito da revitalização da Praça Eudoro Correa – a única praça e a mais importante atração do bairro - que há 11 anos não passava por uma reforma e que fica ao lado do antigo terminal do ônibus.
A praça sofreu mudanças e foi reinaugurada no dia 30 de setembro de 2008. Mas sua reforma não atendeu às expectativas de alguns moradores que, aproveitaram esse espaço para responder a pergunta “O QUE VOCÊ ACHOU DA REVITALIZAÇÃO DA PRAÇA DE CAMPO GRANDE?”

“A PRAÇA FICOU MUITO BONITA, MAS DEVERIA TER UMA PISTA PARA “CAMINHADA” E ACESSÓRIOS PARA FAZER GINÁSTICA. TAMBÉM DEVERIA SER FEITA A REVITALIZAÇÃO DAS BARRACAS QUE FICAM AO LADO DA PRAÇA; E UMA DECISÃO SOBRE O ESPAÇO DO ANTIGO TERMINAL.”
Ana Paula Galvão, 33 anos - Comerciante.

“GOSTEI. PELO QUE ERA ANTES, ESTA PRAÇA FICOU BEM MELHOR, ILUMINADA E BEM MAIS MOVIMENTADA.”
Arnaldo Barbosa, 45 anos - Autônomo.

“GOSTEI E ESTAVA PRECISANDO DESSA MUDANÇA HÁ MUITOS ANOS. O QUE FALTA AINDA SÃO NOVOS LIXEIROS E GRADES, TANTO DENTRO COMO FORA DA PRAÇA E UM POSTO POLICIAL PARA NOSSA SEGURANÇA.”
Solange Rocha, 49 anos – Autônoma / Ambulante.

“MAIS OU MENOS, PORQUE NÃO FOI FEITO NADA. APENAS CONSERTARAM O QUE JÁ EXISTIA, NADA FOI COLOCADO.”
Danielli Gomes, 24 anos - Dona de Casa.

“A REFORMA VALORIZOU E TROUXE MAIS DIVULGAÇÃO PARA O BAIRRO. PORQUE QUE MUITAS VEZES, CAMPO GRANDE É VISTO COMO LOCAL DE VIOLÊNCIA E ASSALTOS.”
Samuel Bertilon, 31 anos – Porteiro.

“A PRAÇA FICOU BOA, MAS, FALTA POLICIAMENTO, EVENTOS COMO FEIRAS ARTESANAIS E APRESENTAÇÕES DE BANDAS MARCIAIS DA REDE PÚBLICA.”
Andréia Barreto, 37 anos – Pedagoga.

“NÃO CHEGUEI A VER E NÃO SABIA QUE TINHA SIDO REVITALIZADA.”
Márcio Pessoa, 32 anos - Universitário.




Talento do bairro


ARTISTA INTERPRETA O MUNDO
O real e o fantástico, na arte de Ferreira


Por Adriana Dutra



Seja pelo traço do pincel ou pelo simples detalhe em cerâmica, logo percebemos que as raízes desse artista estão entranhadas no bairro de campo Grande. Ferreira ou Ferreira ferreiriza, como era chamado por Gilberto Freyre, é filho de Manoel Ferreira da Silva e Ana Augusta de Carvalho; tem dois irmãos e vive no bairro desde que nasceu.
Suas primeiras pinturas foram feitas na casa da Rua Catulo da Paixão Cearense, onde também está o seu atelier. Em dois quarteirões, antes de chegar em sua residência, já podem ser vistos, nos muros, a identificação do artista que transformou o local em atração.
O atelier onde é um espaço magnífico por dentro e por fora; de uma beleza admirável aos olhos humanos; um encontro de luz e sombras. Cercado por plantas em sua entrada e numa grande muralha são vistos os trabalhos na cerâmica, e nas calçadas; pinturas de animais como a tartaruga marinha e a coruja.
O talento de Ferreira começou muito cedo, quando tinha apenas 15 anos de idade. Ele freqüentou a Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco e logo cedo ganhou seu primeiro prêmio: Um painel em vitral medindo (7,10x2,60m), exposto na sede da Chesf, no Recife.
São quarenta anos de trabalho que representam a sua vida familiar, realidades, sonhos e segmentos que nasceram da infância, adolescência e juventude do artista. O material usado pelo pintor são produtos naturais, como: barro, ferro, cerâmica, louçarias, castiçais e as muitas cores das tintas que expressam a sua maneira de viver.
O pintor foi uma criança como qualquer outra, do bairro. Vida simples, gostava de jogar futebol, que durou até a sua juventude; estudou na escola do bairro conhecida como Clóvis Bevilaqua (que existe ainda hoje), é formado em Administração e Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (não chegando a exercer a profissão). Segundo o artista, todos os dias jogava bola, mas o seu destino, já traçado pelas artes, fez com que ele deixasse de correr atrás da bola para correr atrás de uma tela e de um pincel.
Além de sua dedicação pela pintura, também tem admiração pela Sinuca, tanto que em sua casa tem uma mesa de Sinuca; pois é um esporte que requer equilíbrio e concentração; assim como as telas no mais fino traço ou na mistura das cores. Ferreira, como qualquer jovem nos dias de hoje, participou de uma banda chamada Os Gatos como guitarrista; e chegou até a tirar o documento de inscrição da ordem dos músicos do Brasil, com especialidade de cantor popular.
Ferreira não faz o seu trabalho sozinho. Ele tem uma equipe, composta de amigos de infância e que trabalham como seus colaboradores há mais de vinte anos. Eles aprenderam com o artista a fazer as pinturas e peças em cerâmica.
Em seu livro “Redescobrindo o Paraíso”, uma bibliografia organizada pelos também artistas Paulo Brusky e Silvia Pontual. Ferreira relata a sua história e mostra todas as suas obras feitas ao longo dos seus 60 anos de idade. O livro traz ainda os depoimentos de algumas personalidades, como: Gilberto Freyre, João Alberto Sobral, Abelardo da Hora, Ariano Suassuna e Jarbas Vasconcelos, que relatam a admiração pelo artista.
A exposição: “Ferreira: Redescobrindo o Paraíso”, realizada em novembro de 2005, no Museu do estado de Pernambuco, apresentou as suas obras para o grande público, um dos maiores acontecimentos já vistos nas artes plásticas.
Diversos prêmios foram ganhos pelo artista, sem contar que a sua trajetória é bastante conhecida, e suas obras já foram divulgadas em catálogos, folderes, jornais do Recife, São Paulo e de outros países; ilustrações, livros, exposições individuais e coletivas e a participação imensurável de ser divulgado em um jornal do seu próprio bairro (Campo Grande em Foco).
A perfeição, o detalhe e o cuidado que o artista exprime nos seus trabalhos estão aliados também à responsabilidade de representar a cultura de Pernambuco e tem levado essa arte para diversos países, como: Holanda, Alemanha, França (Paris), Inglaterra (Londres), Argentina, Republica Dominicana e Portugal.
Hoje, Ferreira tem dedicado suas pinturas a um só tema: Flores. Mas, segundo ele, pode ser mudado a qualquer momento. “Não tenho um segmento, apenas pinto o que gosto e o que me faz sentir bem”, conclui o artista.

****Serviços: Ferreira – Pinturas, Aquarelas, Cerâmicas, porcelanas, serigrafias e esculturas. Fone: 81- 9974-5604 /
www.ferreira.art.br – e-mail: ferreira@ig.com.br


CAMPO GRANDE É UM BAIRRO DE VALORES INCOMPARÁVEIS


O nome faz parte da história dos moradores.


Por Adriana Dutra


Zona Norte da capital Pernambucana, é aqui que está o bairro residencial de Campo Grande, também caracterizado pelo forte comércio e muitas histórias para contar. De acordo com o livro “Velhas Igrejas e Subúrbios Históricos”, de Flávio Guerra, o bairro não tem uma historiografia própria com acontecimentos históricos, pois é um dos mais novos subúrbios em sua efetiva projeção na área metropolitana do Recife.
Flávio Guerra afirma em seu livro, que o surgimento do nome Campo Grande veio muito antes da ocupação de seus moradores; pelo campo plano, extenso e sem nenhuma edificação, “determinado como uma área marginal imprensada entre Recife e Olinda”. Em uma planta de 1906 da cidade do Recife, feita pelo cartógrafo Douglas Fox, já é visível a existência do bairro sem ocupações.
Uma outra planta do ano de 1920, feita por Sebastião de Vasconcellos Galvão, também mostra o local com um pequeno número de residências e com apenas nove ruas: Estrada de Belém (que ainda existe e é a principal), Rua Frederico, Rua Miranda Cario, Rua Coragem, Rua Julieta, Rua Marietta, Rua do Gallo, Rua Groselha e Rua Larga. Ainda hoje, são encontradas ruas largas, silenciosas e casas com grandes terrenos.
A história do bairro começa a partir do século XVIII, onde morava a senhora Josefa Francisca da Fonseca e Silva que era proprietária de seis grandes sítios no bairro; conhecidos na época como: Olinda Pereira, Doutor Castro, Costa Soares, Capitão Félix Paiva, Principal e Campelo. Além dos sítios de Dona Josefa, existiam também outras casas próximas de seus sítios e mangues, que se estendiam até Santo Amaro. Em 16 de setembro de 1806, esses sítios foram doados para religiosos do Recolhimento da Nossa senhora da Glória.

Referência mais antiga do que a senhora Josefa, foi de um cronista holandês que escreveu no ano de 1645. O bairro de Salgadinho, em Olinda, tinha fama pelas festas realizadas por Maurício de Nassau, (conde holandês que esteve em Pernambuco entre 1637 a 1644*). As festas realizadas na época, eram conhecidas como cavalhadas e partiam de Salgadinho até o bairro da Soledade, no Recife. Durante o trajeto dos cavalos pelas localidades, existia um espaço que causava uma admiração pela beleza de um campo plano, vasto e sem árvores.
Por conta dos cavalos que circulavam, o local ficou conhecido em 1887, como Hipódromo de Campo Grande e, mais tarde, viria a se transformar em dois bairros: Hipódromo e Campo Grande.

A ocupação do bairro Campo Grande se deu a partir das proximidades da Igreja Nossa Senhora da Conceição de Belém, localizada na Estrada de Belém, próxima ao Largo da Encruzilhada; onde pessoas também de outros bairros se locomoviam para assistirem à Missa dos Domingos. A igreja foi fundada em 25 de fevereiro de 1911 e teve o seu primeiro pároco Ricardo Borges de Castro Vilaça.
A estrada de ferro existiu até o ano de 1915, quando foi substituída por bondes elétricos que funcionaram até o ano de 1954. Esses bondes eram fornecidos pela empresa inglesa THE PERNAMBUCO TRAMWAYS E POWER COMPANY LIMITED.
Localizado geograficamente entre a divisa dos municípios do Recife e Olinda o bairro de Campo Grande limita-se: ao Norte, nos bairros de Peixinhos (Olinda), Campina do Barreto e Arruda (Recife); ao Sul, Torreão (Recife); ao Leste, Municípios de Olinda; e ao Oeste, outros bairros como Ponto de Parada, Hipódromo e Encruzilhada. Segundo a Prefeitura do Recife, o bairro enaltece a capital Pernambucana também pelas ruas amplas e algumas moradias com estrutura singular.

O desenvolvimento do bairro surge em 1937, quando Agamenon Magalhães era o governador do Estado; e em sua gestão, investiu no primeiro conjunto habitacional, construído para servidores públicos estaduais e depois um projeto de urbanização. Até a década de 40, Campo Grande tinha somente dez ruas estreitas, sem qualquer prédio residencial, e uma estrada de ferro, que saía do Largo da Encruzilhada e seguia até Salgadinho (Olinda), como anteriormente foi falado.
Hoje, mesmo com o aumento da população (31.241 habitantes segundo dados do IBGE em 2000), Campo Grande ainda possui um número pequeno de prédios residenciais; com cerca de cem arranha-céus, pois boa parte ainda dos terrenos são ocupados por casas e pequenos comércios.
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Cavalhadas – Porção de Cavalos, diversão popular com uma espécie de justa ou torneio. (Aurélio)
* 1644 – Ano em que o conde Maurício de Nassau retorna à Europa.


Fontes consultadas:
Cavalcanti, Carlos Bezerra. O Recife e seus Bairros. Recife: Câmara Municipal do Recife, 1998.
COSTA, Francisco A. Pereira da. Anais pernambucanos 1795-1817. Recife: Fundarpe, Diretoria de Assuntos Culturais, 1984. v. 4; 5; 7.
CAVALCANTI, Carlos Bezerra. O Recife e seus bairros. Recife: CEPE, 1998.
GUERRA, Flávio. Velhas igrejas e subúrbios históricos. 2. ed. rev. aum. Recife: Fundação Guararapes, 1970. 227 a 230.
Costa, Francisco A. Pereira da. Recife e seus Arredores.
Cavalcanti, Bezerra Vanildo. Recife do Corpo Santo
Museu do Recife, Forte São Tiago das cinco pontas;
Arquivo Público do Estado;

Chega ao bairro o jornal “Campo Grande em foco”


Por Adriana Dutra


O Jornal Campo Grande em Foco é o mais recente veículo de comunicação comunitária e participativa que pretende abranger Campo Grande e adjacências. Há algum tempo este projeto foi idealizado, até chegar nesta primeira edição. As informações que futuramente seriam notícias, já estavam entre os moradores entrevistados, que perguntavam quando seria publicado o primeiro jornal que retrata a comunidade.
O jornal é produzido mensalmente e distribuído gratuitamente, com informações voltadas para a comunidade, objetivando ajudar a todos que desejam conhecer ainda mais sobre o seu bairro. Um formato diferente, que serve para noticiar fatos de relevância para a comunidade e mostrar aos bairros vizinhos de Campo Grande, a sua história.
Quem chega ao bairro, encontra uma variedade de comércio como: supermercados, farmácias, locadoras, lojas de conveniências, academias, salões de beleza, escolas, restaurantes, loja de colchões, padarias, armazéns e lojas de frutas e verduras.
Isto prova que a ocupação e o desenvolvimento do bairro, ao longo dos seus noventa e sete anos, fizeram com que ele fosse uma referência para a sua população, como se estivesse no centro do Recife.




Apresentação do “Campo Grande em Foco”


Para realizar um jornal, é preciso conhecer a realidade dos moradores e o Campo Grande em Foco que chega às suas mãos a partir de agora é produzido por pessoas da comunidade que pensam e lutam por um bairro mais valorizado.
O objetivo do jornal é dar voz à comunidade, descobrir suas necessidades e na primeira edição, vamos conhecer um pouco mais sobre a história de Campo Grande.
O jornal Campo Grande em Foco tem o segmento de trazer a informação dentro de uma linguagem simples e de fácil entendimento, porque procura formar leitores do seu bairro.
Para informar ainda mais o morador de Campo Grande, foi criado também o blog,campograndeemfoco.blogspot.com, um espaço entre o jornal e o leitor. Além de trazer todas as notícias disponibilizadas no jornal impresso, o endereço traz outros conteúdos, como vídeos e imagens das matérias publicadas.
Este é o Campo Grande em Foco, o jornal do seu bairro.


Boa leitura e até a próxima edição.


Adriana Dutra
adrianadutra.jor@gmail.com